Liliane Brito

Além da luz e da sombra

Neste momento em que o alvorecer de um novo milênio desponta no horizonte da humanidade..brota um sonho, com um ser humano a caminho da realizaçao de sua completitude, no coraçao de uma totalidade viva e pulsante que tudo envolve e interliga. É um espaço inspiracional e fecundo de cuidado, onde uma humanidade pode ser gestada, reconciliada em suas dimensões de corpo, alma e consciência, atravessada pelo Mistério da vida.
Trata-se de cuidar do SEr, no exercício de uma arte de escuta e encontro que abriga o mais concreto e sutil, o mais profano e mais sagrado, na direçao fecunda da matéria com a luz, da análise com a sintese, da exitência com a essência....


Como facilitadores da saúde, nas esferas integradas de uma ecologia individual, social e ambiental. Aplicados no estudo da filosofia e terapias perenes, na responsabilidade de cuidar, cuidando-se, de escutar, escutando-se. Compartilhando uma busca permanente de renovação e reciclagem, e uma prática meditativa no cotidiano, para a essencial escuta do instante, a partir da matriz generativa do silêncio. No testemunhode uma alteridade vinculada a consciência de não-separatividade, homens e mulheres marcham na aventura evolutiva do caminho, abertos e atentos ao toque luminoso da presença.
.. O ser humano é aquele que habita o reino das polaridades. Do embate inevitável e arduo dos opostos, surge o atrito criativo que pode nos despertar para o processo de integraçao.
Para Jean-Yves Leloup, tudo é dança de absurdo com a graça. Quando somos capazes de integrar o peso com a leveza do existir, os Budas sorriem, as pedras florescem. Com uma maestria que reflete a alinaça do cientista da psique com o sacerdote dos abismos da alma e o incansável Peregrino dos desertos com o coraçao, Leloup segue nos oferecendo a inspiraçao que nasce da vastidão de sua humanidade, convidando-nos a mergulhar no oceano da consciência não-dual, a morrer no coraçao do Dom da Vida.
Lembra o poema de Tereza de Ávila:


Vivo sem viver em Mim
e tão alta vida espero
Que morro por não morrer.
                                           
 Roberto Crema

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